Brasil e Holanda - Copa do Mundo 2010 - Perdemos o jogo, mas ganhamos a conversa! Foto: Jorge Henrique |
5.9.10
Conversando Fotografia recebe Jorge Henrique Oliveira
9.8.10
Conversando Fotografia
7.8.10
Guy Veloso na Coleção Pirelli Masp
Nós ficamos muito felizes com a notícia de que Guy Veloso, que é um fotógrafo que os integrantes deste coletivo admiram bastante, teve imagens selecionadas na Coleção Pirelli Masp.
A seleção foi feita ainda no primeiro semestre, mas, a pedido da comissão curatorial, a informação foi divulgada com mais ênfase apenas agora no segundo semestre quando a organização abre para o público a exposição com os resultados da sua 18ª Edição.
Queremos parabenizar Guy pelo convite e todos os demais fotógrafos que integram a seleção deste ano, que está muito bela. Merece ser visto com carinho o trabalho de outro conterrâneo de Guy, o fotógrafo Alexandre Sequeira! Um grande abraço a todos!
Para conhecer mais sobre o trabalho de Guy Veloso: http://www.fotografiadocumental.com.br/
Para ver as imagens selecionadas, basta acessar a Galeria da Folha neste endereço: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/08/colecao-pirellimasp-de-fotografia/
6.6.10
01 ano é muito (pouco)
Um ano é pouco pra quem está começando, e muito pra quem precisa de tempo para viver.
No dia 06 de junho de 2009 um grupo de pessoas se encontrava com um objetivo comum, movimentar a fotografia, a arte em nós, a partir de uma intervenção numa instituição pública, num bairro periférico de Aracaju. Desse grupo o trabalho coletivo se fez natural, as pessoas se reencontraram, alguns continuaram, outras seguiram outros caminhos, mas a ideia tocou a todos.
O Trotamundos Coletivo é uma ideia, que se faz viva, ativa e atuante, e queremos mais.
O Trotamundos Coletivo é uma brincadeira, uma brincadeira que leva a sério o que faz, mas num fluxo natural do brincar, dos encontros com muitas pessoas que vivem, pensam e constroem suas vidas com a generosidade do novo encontro, das novas ideias, e do brincar de fazer arte através da fotografia e dos muitos olhares fotográficos.
Parabéns para nós, que participamos dessa construção inacabada, e que permaneça inacabada, mas sempre se construindo, com a identidade de um Trotamundos Coletivo.
28.4.10
Pinhole Day - O passeio
22.4.10
Pinhole Day
Pinhole é um modo de fotografar usando apenas a abertura de um furinho de agulha, seguindo os preceitos clássicos da fotografia. quer saber mais? Clique aqui.
O Trotamundos Coletivo, pra não ficar de fora da festa, e querendo compartilhar experiências, ideias, técnicas e o que vier, convida você pro Pinhole Day Aracaju:
Local: Orla de Atalaia, no estacionamento em frente à Temakeria Mori, ao lado da Pista de patinação.
Quando: Domingo, 25/04, a partir das 15:00
O que: Passeio fotográfico
Material: máquinas pinhole (quem tiver, leva, quem não tiver, traga sua lomo, sua analógica, sua DSLR, sua compacta, o negócio é movimentar o negócio. :))
E, claro, quem quiser saber como fazer uma pinhole super simples, basta acessar esse tutorial de pinhole sardinha, bem famoso pra quem curte fazer sua máquina de forma artesanal, criada pelo fotógrafo Marcos Campos.
Tem também esse tutorial com caixa de fósforo, feita por Damião Santana.
Bem, convite feito, divulgue, compartilhe com quem quiser, e, claro, apareça!
Abraços
Zak Moreira
21.3.10
Nem dois meses, nem dois dias
O mês de março é o mês de comemorações do aniversário de Aracaju, cidade que vivemos.
A repercussão do primeiro projeto "Quem Faz a Foto?", aquele do CAPS foi muito positiva, e porta aberta para um convite da Prefeitura Municipal: montar uma nova oficina de fotografia com outro público, garotos e garotas entre 15 e 17 anos, do bairro Coroa do Meio.
Dentro do prazo curtíssimo que tínhamos em mãos (menos de um mês para organizar, efetivar, divulgar e expor), chegamos à conclusão que a melhor solução seria encurtar o conteúdo teórico e trabalhar mais a prática do processo criativo fotográfico.
Explorar regiões circunvizinhas, passear pela cidade e trazer à tona os olhares daqueles adolescentes sobre a cidade em que vivem.
Tivemos apoios muito bacanas: Instituto Recriando, que cedeu os equipamentos fotográficos; Viação Progresso, cedendo o transporte da "Marinete do Forró", uma jardineira que faz passeios turísticos pela cidade; e a color prints, que viabilizou materiais fundamentais pra o andamento da oficina (pilhas, ampliações, mídias, etc).
Decorrida em 05 e 06 de março (dois dias apenas), foi espelho dos dois meses que gastamos fazendo a oficina do CAPS.
Nem dois meses, nem dois dias
O primeiro trabalho do Trotamundos foi feito com um processo construtivo sem prazo para acabar, mas com metas a cumprir, e, no decorrer das oficinas foi que fomos decidindo o que fazer, como fazer, enfim. Foi um trabalho muito legal, mas beeeem longo.
Em contrapartida, tínhamos dois dias apenas pra corrermos com todo o conteúdo que havíamos trabalhado no primeiro "Quem Faz a Foto?".
Todo? Impossível...
Adaptações foram feitas e conseguimos tirar o leite das pedrinhas adolescentes que conhecemos.
E que leite. E que pedras! Perspicazes, atentos, inteligentes, soltaram a criatividade sem medo.
É claro que não foi tão simples assim. No primeiro dia, quando saímos pra passear na orla da atalaia, a gurizada só queria fazer foto de si mesmo.
:)
Suuuuuper normal, né? Adolescentes e auto-afirmação tem toda a relação, sem dúvida, mas o processo criativo da oficina não funciona assim.
Tivemos um momento de redefinição das ações no dia seguinte, pra conversar sobre qual era o objetivo e as possibilidades dos nossos encontros.
E a reação foi imediata:
Mão na massa! Texturas, regra dos terços, simetria, pessoas, a vazão foi sendo dada à enorme energia pueril. Um passeio pela feira da região, pelo Calçadão daTreze de Julho, pelo Mercado Municipal, Mercado do Peixe, Beco dos Cocos, Orla do Bairro Industrial e Colina do Santo Antônio.
Uma manhã inteira de câmeras na mão, ideias na cabeça e dedinhos nervosos clicando sem medo.
Sábado à tarde tínhamos 14 câmeras digitais compactas com cerca de 200 arquivos digitais em cada para serem descarregados e analisados no processo de curadoria coletiva.
MUITO TRABALHO!
Mas MUITA SATISFAÇÃO! Fotos interessantes, com potências artísticas aflorando dentre alguns.
Foram 20 participantes, só pra constar.
20 pessoas ansiosíssimas pra ver os resultados do passeio.
Obviamente não conseguimos fazer o processo da maneira mais tranquila, sem cansaço, sem fadiga, pois era sábado à tarde, tínhamos andado de ônibus por toda a manhã, num calor infernal (média de 35 graus). No fim da tarde, estávamos exaustos, suados e sedentos pelo fim da oficina.
Uma pena, pois foi um ótimo encontro.
Mas iríamos compensar esse “desencontro” com a exposição, local em que todos voltariam a se encontrar pra ver o resultado impresso em papel fotográfico e apresentar à cidade os seus olhares.
Esse reencontro foi ontem. E foi ótimo.
Todos curtimos.
O resultado da oficina você vê aqui, e a exposição está bem registrada nas fotos abaixo, num clima de descontração e alegria pelo trabalho cumprido:
Grandes abraços
Zak Moreira
27.1.10
Trotamundos no Circo
quer ver em melhor resolução?
clique aqui
“E o circo...
...que represento é a metáfora da minha própria trajetória nessa vida...
É esse o espírito do artista que incorporei: o mambembe em sua essência.
Aquele único ser capaz de desprender-se das referências e
“Optar por viver no não pertencimento...”
Patrícia Polayne
Quase por acaso...
Assim surgiu o segundo movimento do Trotamundos: registrar o lançamento do cd o “Circo Singular”, da cantora sergipana Patrícia Polayne.
Ainda vivíamos o processo pós-ressaca/euforia com o fim do Projeto “Quem Faz a Foto?” e início da exposição na Sociedade Semear. Ainda levantávamos as impressões sobre o resultado do projeto, dávamos entrevistas, enfim, mantínhamos a chama acesa...
Marcelinho participava nesse momento de um curso ministrado pelo MinC (Ministério da Cultura) e oferecido pela Secretaria de Estado da Cultura. Em um ‘coffee break’ do curso, soube por Elma Santos, produtora de Polayne na época, da articulação para o lançamento do seu primeiro cd. De imediato, veio à tona a vontade de registrar esse show, segundo a ótica do Trotamundos, saindo do formato simples e usual da fotografia e com o compromisso de apresentar um produto final que pudesse contar essa história de maneira fluida e completa... Começo, meio e fim...
A produtora executiva de Polayne, Melissa Warwick, era a responsável pela parte referente ao registro audiovisual do show. Em princípio, Melissa hesitou. Depois, conhecendo o coletivo, explicando a nossa ideia sobre o registro, a pluralidade de olhares e infinitas possibilidades, incorporou o Trotamundos ao evento.
“A adversidade me empurrou pro circo e ele me acolheu.”
Patrícia Polayne
A princípio, o show seria realizado no Parque da Sementeira, mas no último instante o local foi negado, passando para o Circo Estoril... O elemento cultural perfeito! Cores, texturas, cheiros, sons... Tudo estava lá!
O circo estava montado... No entanto, trapezistas, equilibristas, palhaços, mágicos e o incrível “Globo da Morte” deram lugar ao baixo, guitarra, violões, bateria e percussão... A magia do picadeiro tinha outro tom: A música de Patrícia Polayne!
O nosso objetivo era dar uma leitura coletiva do show, fazer uma cobertura fotográfica diferente, um registro hegemônico do espetáculo. Uma imagem pode impressionar e até mesmo comover, mas estávamos à procura de romper essa barreira... Queríamos contar a história por trás do “Circo Singular”, mostrar o que só nós vivemos!
Chegamos ao Estoril logo pela manhã, registrando tudo que estava à nossa volta. Os elementos circenses se misturando à parafernália ‘high tech’ de áudio e vídeo deram um tempero a mais. Nesse primeiro momento, fotografamos texturas, cores, elementos cênicos e musicais... Seguimos pela tarde com a passagem de som, entrando pela noite, registrando tudo antes mesmo da abertura dos portões para o público. Os bastidores, o aquecimento, maquiagem, alongamento, nada passou desapercebido...
"Oh misterioso rio
Fundo caudaloso feito uma mulher
E a poesia (vai me arrastar até o mar)
E a navegação (vai me arrastar)
O sonho que sonhei é outro (vai me arrastar até o mar)
A vida que criei é minha (vai me arrastar)..."
Patrícia Polayne
Um bom público compareceu ao circo e mesmo tendo que esperar por mais de uma hora e meia para o início do espetáculo num calor infernal, recebeu Polayne de forma calorosa.
Acolhida por um cenário naturalmente maravilhoso e com um belíssimo figurino assinado por Altair Santo, Patrícia Polayne entrou no picadeiro do ‘Estoril’ e desfilou um repertório coeso e equilibrado, concentrado em seu primeiro cd. Uma atmosfera sensível, mágica e musicalmente precisa tomava conta do picadeiro, criando vários momentos emocionantes durante a noite.
O registro era fiel, música após música, um frenesi de cliques e olhares dava fluidez à narrativa. A mistura, a busca do entrosamento e da coexistência, definitivamente, mostrou nossa força: o Trotamundos passava pela sua primeira prova de fogo e mostrava o poder de ser um coletivo!
Sem dúvida um show inesquecível, um marco para a música sergipana, cantada em verso e prosa por uma das maiores artistas dos nossos dias e registrada por nossas lentes!
10.1.10
Indiferença?
Domingo de manhã, modificando as configurações do blog, e minha esposa me chama pra escutar esse texto que agora posto.
É um fragmento da tese de doutorado de Ana Paula Figueiredo Lousada, intitulada: "Crônicas de um Trabalho Docente: A Invenção como um Imanente à Vida". Ela cita Resende, num texto publicado pela Folha de São Paulo em 1992.
Toda vez que pensamos num trabalho, tentamos exercitar a mudança do foco, o olhar diferente, ver o que não prestamos atenção cotidianamente. E achei que esse texto tem tudo a ver com a nossa proposta.
Lá Vai:
"Se eu morrer, morre comigo certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio. Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer. Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos. Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença ."
REZENDE, O. L; O monstro da indiferença, Folha de S. Paulo, São Paulo, 23/fev/1992.